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Perseverança. Inspirado nessa palavra, jKau, nascido João
Cláudio Mac Dowell, saiu de Brasília para ganhar o mundo.
Com um jeito simples de encarar a vida, jKau vem, aos poucos, conquistando
seu lugar ao sol. Talentoso e carismático, ele se prepara, agora,
para lançar seu segundo trabalho independente, O Caixeiro Viajante
e a Caixa de Música.
Misturando vários estilos como bossa-nova, reggae, musica eletronica
e ritmos regionais, jKau consegue um resultado perfeito, com arranjos
que mesclam, na medida certa, sonoridades orquestrais, contemporâneas
e populares. "Acredito que entre o hermetismo da prática
contemporânea erudita e a repetição de fórmulas
mercadológicas, ainda existe um caminho melódico rico,
que pode ser percorrido, capaz de cativar a emoção dos
ouvintes das mais diversas origens e, ainda, apontar novas direções
e rumos a serem trilhados por futuras gerações",
filosofa.
Gravado no período de um ano (entre março de 2002 e março
de 2003), O Caixeiro Viajante e a Caixa de Música chega trazendo
10 faixas, entre elas, o single "A Chuva", "Gotas de
Sangue" e "Tamanduá". Mas isso não é
tudo! O álbum traz ainda quatro faixas bônus: a instrumental
"Lanterna" e as versões, em inglês, "Drops
of Blood" ("Gotas de Sangue"), "The Rain" ("A
Chuva") e "I`ve Seen" ("Ta Vendo Demais").
jKau está na estrada há dez anos e tem uma vasta experiência
em composições de trilhas sonoras. Como vocalista do grupo
Tonton Macoute, conheceu vários lugares e conquistou uma legião
de fãs, que, inclusive, o acompanham até hoje.
Agora, é a vez de nosso caixeiro viajante jKau e sua estrela
brilharem mais do que nunca... Afinal de contas, as pérolas que
você vai encontrar dentro dessa caixa de música vão
lhe mostrar toda a poesia dos versos desse grande sonhador...
Faixa a faixa por jKAU
"Gotas de Sangue" - A letra fala do contraste que
existe em fazer amor envolvido pela realidade da cidade. Ao longo do
texto, surgem tipos e personagens. É um baião contemporâneo.
"Enlouqueceu" - Quando essa música começou
a tocar nas rádios de Brasília, as pessoas pensaram que
o tema falava de alguém que se divertia em uma festa; mas é
só prestar atenção na letra, para perceber que
ela "pula da janela". Escrevi essa canção, pensando
em minha tia, que realmente pulou pra fora da vida. Acho que quis gravar
assim, meio dançante, pra deixar aberta a possibilidade de se
pular na pista de dança, uma alternativa ao desespero, sair de
casa.
"A Chuva" - É uma canção de esperança,
sobre deixar a chuva lavar o passado, sobre o momento em que se caminha
livre, sob a chuva, imerso na vida. Eu fiz pra ser fácil, alegre
e boa de cantar. Realmente, todo mundo aprende rápido. Tem um
quê de Broadway, meio Gershwin e Cole Porter, ao mesmo tempo,
totalmente xote, Luis Gonzaga, Jackson, Zé Ramalho, Alceu.
"Tamanduá" - Confraternização
antropofágica. Eu andava ouvindo muito Villa Lobos, pensando
em Mário e Oswald de Andrade, naquela semana. Então veio,
inteirinha, soprada no meu ouvido. Fiquei o dia todo cantando e depois
anotei. Enfim, entidade não cobra direito autoral.
"Tá Vendo Demais" - Samba. Quem cresceu ouvindo
tem obrigação de fazer... Sou eu querendo fazer algo como
os sambas do Chico Buarque nos anos setenta. A letra urbana tem um pouco
da maldade da nossa época, meio jornalística, mais indicando,
que revelando. Rodrigo Maranhão e André Bava, do Bangalafumenga,
deram a base e Quito Pedrosa fez o solo de sax.
"Depois da Curva" - É uma canção
de amor, inspirada nas montanhas do Rio de Janeiro e de Minas Gerais.
Tem um quê de desejo, sonho e loucura. A melodia, fácil
e sussurrada sobre o ritmo forte, cresce para acomodar palavras ininteligíveis
e a catarse das festas eletrônicas.
"Kaleidoscopic Eyes" - Um baião em inglês.
Acho que escrevi assim sob influência de alguém que falava
muito em Inglês comigo. A melodia é bonita, modo menor,
modula para o maior e cresce, como o amor deveria ser.
"O Mercador / Headlines" - Foi escrita como bossa
nova, com aqueles acordes tradicionais, mas a letra sempre foi pesada
- não se costuma falar em vômito na música popular.
Mas há coisas que é preciso dizer. Quando escrevi a letra
em inglês, os carros que explodem viraram torres que explodem
(exploding towers) muda a língua, mudam os signos.
"Acende Essa Vela" - Foi feita para os amigos surfistas,
mas, na verdade, é sobre esperança e mudança de
rumos. Afinal, "já tem tanto sangue espalhado pelo chão,
já ouvi tanta história de cadeia e de prisão...".
Tem a participação do Bangalafumenga, na base.
"Saudade" - Eu queria compor como se fosse um autor
desconhecido, totalmente instintivo. Fiquei tocando djembê durante
uns dias, e essa música surgiu. Gravei só percussão
e um baixo de sintetizador.
"Lanterna" - Essa veio como bônus track. Um
instrumental feito de brincadeira, pra exemplificar o que eu chamava
de Zabumba n'Bass. Até ganhou uns prêmios. O engraçado
é que já entrou no set de DJs dos mais variados estilos,
house, trance, drum `n bass, MPB. Sempre dá pra começar
a noite com ela.